sábado, 29 de janeiro de 2011

A incrível arte de mascar chiclete

            Andando pela rua um dia desses, avistei uma mulher que vinha no sentido contrário. Muito bonita, bem vestida, com um andar elegante, dessas mulheres que não costumam passar despercebidas na multidão. Quando passou por mim, percebi que ela mascava chiclete de boca aberta feito uma vaca. Ao passar por mim, se ela dissesse "muuuuu", eu não estranharia nem um pouco.
           Eu nunca fui muito fã de chiclete, nem quando era criança. Até comprava de vez em quando, mas era por causa das figurinhas que vinham. Ou no máximo comprava Bubbaloo por causa do caldinho, mastigava por uns minutos e jogava fora. O chiclete mesmo nunca fez muito sentido pra mim. Algumas pessoas dizem que relaxa ficar mastigando chiclete. Sei lá. Em mim, o único efeito é fazer doer minha bochecha.
             Eu imagino como fica o estômago quando você mastiga chiclete: "Aí, pessoal! Se prepara que lá vem comida. Uhuu!". Você fica mascando chiclete por um tempão e depois joga fora. "Alarme falso, pessoal! Era chiclete!". Aí você resolve mascar outro: "Galera, agora eu tenho certeza que é comida! Todo mundo atento aí!". E fica nisso. A hora que você decide comer de verdade... "Ô gente, parece que ele está mastigando chiclete de novo. Que cara chato! Quando é que ele vai... ôpa! O que é isso? Feijão com arroz? Oh não! Eu não esperava por isso! Não! Nããããooooooo!!!...".
             Se pelo menos as pessoas mastigassem de forma discreta, mas parece que cada um quer desenvolver seu estilo próprio, como se o ato de mascar chiclete fosse uma forma de expressar sua identidade. E de certa forma, acaba sendo mesmo: 


Agente secreto: masca o chiclete como se fosse um segredo de Estado e ninguém pudesse descobrir. Geralmente mastiga lentamente, sem manifestar muitos movimentos com a boca e ao mesmo tempo olha para os lados enquanto canta mentalmente o tema do filme Missão Impossível.

Semi-educado: a pessoa mastiga de boa fechada e sem fazer nenhum barulho, mas a boca se movimenta tanto que você não consegue prestar atenção em mais nada. "Pois é, Fulano, você precisa cuidar melhor do seu chiclete... digo, do seu carro! Porque ele está muito mascado... digo, amassado!". É como tentar não olhar para um elefante.

Vaca louca: não fecha a boca em momento nenhum, conseguindo a proeza de manter a boca aberta mesmo quando os dentes se encontram, dando a impressão de estar sorrindo e permitindo a você uma visão privilegiada de todo o processo da mastigação, incluindo o momento em que o chiclete é espremido e apenas uma pontinha escapa pelo meio dos dentes e te diz "oláááá!".

Multi-tarefa: consegue falar e mascar chiclete ao mesmo tempo, não realizando bem nenhuma das duas funções. A pessoa fala fazendo pausas pra ajeitar o chiclete que está escapando, fala cuspindo e fica trocando o chiclete de lado com a língua porque ele parece não ficar quieto em nenhum dos lados. Na verdade, o que não fica quieto é a boca, mas a pessoa nunca percebe isso.

Explosivo: enquanto ouve você falar, a pessoa fica fazendo bolas de chiclete e a cada estouro você perde o raciocínio. Além disso, há o gesto de pegar o chiclete com a mão quando ele atinge partes do rosto que a língua não alcança. Existe ainda a variante no estilo metralhadora, que é aquele jeito de fazer várias bolinhas dentro da boca e estourá-las todas ao mesmo tempo. Quando estou conversando com alguém e a pessoa fica fazendo bola de chiclete, penso "Quando uma bola dessas estoura, quais são as chances do chiclete se espalhar pelo rosto e sufocá-la? E se eu pensar positivo, as chances aumentam? E se eu simplesmente sair andando, vão dizer que fui eu?".

        Você deve conhecer outros estilos, mas esses são os que mais me incomodam. Com raríssimas exceções, o chiclete consegue acabar com a boa impressão que eu tenho de qualquer pessoa em poucos segundos. E não é por preconceito. É porque, na prática, o ato de mascar chiclete é visualmente desagradável. Se alguém conseguir mascar de forma discreta, pra mim não há problema nenhum.

Moral da história: no caso de engasgo, recomenda-se segurar a pessoa por trás e com as mãos unidas comprimir rapidamente o abdômen na região do umbigo. Particularmente, eu prefiro ficar apenas assistindo.



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